Manoel de Barros

Certa vez achei que estava perdido. Cruzei com Manoel de Barros. Ele me ensinou muita coisa.

Hoje cruzei de novo com o Manoel. Do mesmo jeito que daquela vez. Passava sem querer nada por um sebo, e lá apareceu ele, valendo nada, como sempre.

Do mesmo jeito que daquela vez, me sinto perdido. Tão perdido que não sei o que busco. A gente busca muita coisa. A gente devia era buscar o menos.

Bom é quando a gente encontra sem buscar, quando a gente se desencontra.

Sem querer, hoje desencontrei enquanto buscava você de longe para desfazer esse eu sozinho. Acho mesmo é que descobri que a perdi. Assim como aquele índio que foi buscar no meio do mato o amante da esposa para amante e esposa viverem juntos. Uma história sobre nada, como as que o Manoel sempre conta.

Manoel cisma em desbrilhar tudo aquilo em que acredito. Faz pequeno tudo aquilo que quer ser grande. E desesconde o que tenta aparecer.

Lendo o livro do Manoel, encontrei uma beleza escondida no não ter, por mais doloroso que isso possa ser. Dá para amar sem ter, não pode? Por que alguém precisa ter um amor, mas não precisa ter um rio? Não quero chorar rios perdidos. Melhor é sorrir rios encontrados. Se se pode amar, por que não se pode riar?

Hoje Manoel me ensinou que estou riando você.

Nestes quatro anos e meio, você me ensinou muito. Manoel tinha uma namorada que via errado. Você me ensinou a ver errado. Você e Manoel têm muita coisa em comum. E eu gosto disso.

Na catraca. III

Aquela moça dos cabelos cacheados me chamaram a atenção logo que subi no ônibus. Ela conversava com uma amiga e o cobrador.

Logo desceram as duas. O cobrador, sem perder tempo, atualiza o motorista do bafão que acabara de descobrir.

– Tá difícil arrumar emprego mesmo. Viu? Elas acabaram de sair da entrevista. Eram dez vagas, contrataram dez loiras e elas ficaram de fora.
– Ué! Mas a outra é loira…
– É mais ou menos. Falaram que eram dez vagas, contrataram dez loiras. Tá vendo?! O povo vota na Dilma e Lula, agora tá todo mundo sem emprego! Quem paga é essa juventude. Tinham dez loiras, contrataram todas – refletiu o cobrador, naturalizando o racismo estruturado nos 516 anos de história do país.

Culpa da Dilma. Nem mesmo a responsabilidade sobre o preconceito racial estrutural do país foge do alcance da inábil presidenta.

Anedota Paulista

Anedota Paulista

Era uma vez um ex-funcionário da FEBEM
que achava ok violentar adolescentes.
Quando lhe mostraram na tevê que violentavam carneiros antes de servi-los à mesa,
ficou muito espantado
e disse que, embora comesse carne, não precisava ver aquilo.

Um mísero passo

Se você procurar no google, vai ver uma série de dicas de quem sofre da mesma coisa e de especialistas de como lidar com o problema. Faça uma lista com suas tarefas, faça atividades físicas dia sim, dia não, use a técnica pomodoro, faça isso, faça aquilo, faça assim, faça assado.

Comigo nada disso tem funcionado. Quando sinto a obrigação cochichando em meu ouvido é como se eu ficasse hipnotizado por ela. Tenho certeza de que, se estivesse em um campo aberto pensando no trabalho que preciso cumprir, me tornaria claustrofóbico, acoado, miseravelmente impotente e estagnado.

Daqui da minha cama, numa distância de dois metros da mesa de meu computador, imagino aquele documento aberto no editor de texto. O documento que me convoca para a inevitável produção de qualquer coisa ou materialização de qualquer ideia é o mesmo documento que me afasta, me empurra para longe. É como se ele me amarrasse na obrigação de me dedicar a ele, numa coleira que me prende a uma distância fixa, não muito longe, mas perto o suficiente para não esquecer do que é inevitável.

Tento achar explicações para essa catatonia, das mais racionais até às mais esotéricas. Já pensei que pudesse ser uma doença causada pela cidade, pela vida burguesa, pela correria do cotidiano, pela obrigação de acertar, de não errar, pelo medo de terminar a tarefa. Poderia ser uma justificativa do subconsciente para buscar o ócio produtivo ou qualquer outra perversão do capital. Não seria o puro prazer de procrastinar? Ou ainda uma vagabundagem congênita, tão odiada pelos crentes do progresso?

Imaginei também ser algum tipo de estrutura que obriga as pessoas a serem como devem ser e, portanto, seguirem o script da vida – crescer, casar, trabalhar para ter seu carro, família, filho e filha para, no final, ter a propriedade no interior para morrer de velho; quem não segue o script acaba por disparar um gatilho no fundo do próprio cérebro, provocando uma autosabotagem, deixando de cumprir pequenas tarefas e comprometendo o próprio emprego.

Como segurar essa barra? Retomar o script e se submeter à ordem das coisas, talvez.

Não seria um espírito zombeteiro? Um encosto tomando meu corpo para brincar com minha vida, fazer dela um inferno e impedir que eu cumpra tarefas muito simples, como a de traduzir um texto curto, do inglês para o português, e salvá-lo em um documento na área de trabalho. Imagino crianças em uma escola de inglês fazendo com alegria essa atividade sem qualquer compromisso, até repetindo-a em casa. Eu, que troco minha força de trabalho, realizando tarefas como essa, por dinheiro para ter o que comer, não consigo fazer. Já estou no ponto de me questionar se o faria mesmo de graça, tamanha é minha impotência para sair daqui da cama e digitar meia dúzia de palavras.

barra_anti_panico3Esse pequeno passo, para mim, se transforma em uma pedra pequena no meio do meu caminho, que cresce, se avoluma e se torna um monstro tão imenso quanto a escuridão, debruçado sobre minha barriga, travando-me aqui, ofegante e tentando levantar para enfrentar um computador que, a dois metros de distância de mim, inofensivo e até então domesticado, agora me parece hostil e me ameaça com cerca de meia página a ser digitada. E não consigo fazer nada além de me manter aqui parado, dando voltas em minha mente na tentativa de desvendar a falta de controle sobre minha própria capacidade motora.

De onde vem essa imobilidade? Por que uma tarefa outrora simples se torna numa montanha irremovível? Será um teste de fé? Fé em quê? Preciso acreditar em deus para cumprir uma obrigação cuja única dificuldade parece ser eu levantar da cama, sentar da cadeira e teclar por, no máximo, vinte minutos?

Começo a imaginar um fosso se abrindo entre minha cama e a mesa em que está o computador. Não deve ter mais de dois metros entre uma e outra. Até poderia pegar uma trena para medir, aposto que não dá dois metros. No entanto, a materialidade da medida passa a se tornar relativa quando busco um impulso para me levantar e resolver aquela tarefa simples que deveria ter sido feita já há três horas – se não fosse tão difícil sair dessa insustentável liberdade em que me afundei. Os dois metros se tornam quinze, vinte, trinta, o suficiente para eu não alcançar a mesa nem mesmo com um salto. Imagino o quão profundo deve ser esse fosso. Sinto a atmosfera do meu quarto sendo sugada para dentro dele, como se o chão fosse um aspirador querendo me dragar. Travo ainda mais.

Já consigo ouvir o som de uma moeda que eu jogaria daqui. Ouço aquele fiu de um corte fino no ar, ecoando no vão entre eu e o pc e levando todo o tempo do universo para tocar o fundo, tão profundo que não é possível saber se a viagem daquela moeda chegou ao fim. Estou tão travado que já me tornei a própria cama.

Ao invés de dar o único final feliz que este capítulo de minha história poderia ter, levanto e vou dar uma volta na rua, como procurando algo para me iludir com a possibilidade de cumprir, quem sabe um dia, essa minha tarefa. Talvez contemplar a lua me ajude a ignorar a tarrafa dentro da qual estou me perdendo. Afinal, já passei a tarde inteira tentando dar um passo sem sucesso, não posso permirir me afundar também durante a noite nessa irreconhecível impotência.

Na catraca. II

Este texto é de dezembro de 2010. É inédito, embora tenha quase cinco anos de idade. Está sendo publicado agora por ter sido encontrado entre escombros e rascunhos abandonados na configuração deste blog. Mudei coisa ou outra do conteúdo, enxuguei algumas frases – provavelmente as que me impediram de publicá-lo naquela época. Apesar de mudados os endereços, a ideia se mantém a mesma.

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Volto da casa do meu pai depois de um final de semana nostálgico. Rememorei bons e maus momentos de minha juventude em São Vicente. Ao menos uma oportunidade para confrontar alguns preconceitos daquela época com os de hoje.

Com reflexões a mil e o domingo se esvaindo, subo em um ônibus na rua Augusta. Aquela linha passaria pela Cidade Jardim. Minha casa estava à espera, no Butantã. Nesse ínterim, cidade movimentada, consumo paulistano no ápice e busão lotado como no rush de segunda-feira.

Na luta por um assento, não passo a catraca e fico no banco logo atrás do motorista. Divido o banco com uma travesti. Ela estava a caminho da avenida do Jóquei, seu lugar de trabalho, enquanto todos os outros passageiros do ônibus, “normais” e de bem, voltavam para casa após um dia de consumo e de trabalho árduo. Muitos ali provavelmente se achavam mais dignos do que minha vizinha de banco.

Ouço um diálogo vir logo da frente. Uma jovem simpática conversa com o motorista em pé a seu lado.

– Como a linha tá lotada hoje. Há três semanas não estava assim. E nessa linha aqui normalmente sobem uns travestis pra ir pro Jóquei, não é? Hoje não tem nenhum.

Ledo engano. Eu tapava a visão da jovem. Distraída, sentiu-se à vontade para falar. Continuou ela a discorrer ao seu modo sobre mobilidade urbana e transexualidade, enquanto o motorista consentia com respostas curtas.

– Eles normalmente descem pela frente, não é?

Eles, não. Elas.

– Sim, são folgados. Pagam, giram a catraca e descem pela frente. É que tem um pessoal que pesa na deles, chama pra jogar bola, pra encher laje…

– Pois é. Há alguns anos eu trabalhava vendendo coisas em um ponto de ônibus na Francisco Morato. Um dia, quando desci no Jóquei para pegar outro ônibus pro meu trabalho, vi vários deles trabalhando na avenida. Vi que as pessoas que param os carros na avenida e saem com eles sempre são homens de família, muitos deles casados. Normalmente são homens bem de vida. Pra que isso, né? Que nojo.

A jovem filósofa desceu logo em seguida. Continuei ali, na minha, sentindo o perfume da outra moça que, como eu, continuava sentada e reflexiva.

A relativização da existência

Cada uma de minhas vivências me faz compreender por que algumas pessoas relativizam sua existência.

Por que ficar em um lugar ao qual você não pertence?

São desenhos feitos em situações de perplexidade – palestras corporativas, reuniões “pedagógicas”, salas de TV e outros espaços-tempos de absoluto vazio existencial.

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Os pequenos fascismos de nossa vida cotidiana

Sou diariamente pressionado a não confrontar a imposição da ordem das coisas. É como se a todo momento eu estivesse em um rodamoinho, num vórtice do qual eu não consigo escapar por mais que eu dê braçadas ou busque recursos para dele me desprender. Não um vórtice líquido, mas etéreo, de uma matéria que, mesmo sem existir, me captura e me transforma na própria matéria. Como se, além de ser vão ou inadequado confrontar o que me oprime, fosse necessário reproduzir a própria ordem e confrontar quem confronta a ordem imposta. Como se fosse uma regra da qual não se pode fugir.

Questionar a tetrapakzação da vida é ser chato, impertinente, inadequado, indisciplinado, errado, egoísta, incivilizado, intolerante, desrespeitoso, amoral, insociável, desajustado. A imposição não está numa repressão física imposta diretamente ao meu corpo. Ninguém me põe uma mordaça ou me amarra para me impedir de ter uma vida diferente. Mas a simples indisposição das pessoas em entender que meu modo de ver e viver o mundo é diferente do hegemônico é constrangedor. É nas pequenas ações, nas afirmações sem compromisso que se fabrica discursivamente o modo de vida hegemônico como um aspecto da inevitabilidade, natural e anterior a qualquer desejo, a qualquer construção, a qualquer vivência.

“E aí, até quando vai continuar enganando sua namorada e se casar?”, “quando você vai ter uma vida de verdade e constituir família?”, “como assim, você só trabalha oito horas por semana?”, “se não votar vai ganhar o quê com isso?”, “quando você vai deixar de ser rebelde e viver a vida?”, “nem parece adulto”, “quando vai deixar de viver como adolescente?”, “quanta viadagem, nem parece homem”, “quando vai honrar o pau que tem entre suas pernas?”. Amenidades que constrangem e imputam um modo de vida pré-fabricado. E oprimem.

QuinoLazzarini

As diferenças serão apagadas em breve. O diferente vai deixar de ser uma alternativa válida e produtiva. O cinza tende a prevalecer sobre tudo o que não for cinza. Expressões, olhares, falas insignificantes e despretensiosas de nossas vidas materializam o fascismo que transforma a invariabilidade de algumas formas de vida na inevitabilidade de uma forma de vida. O efeito é a destruição de qualquer possibilidade de aceitação da diversidade e do questionamento de um modo de vida hegemônico, seja ele o atual ou o que está para ser forjado por quem garante seus privilégios por meio de todos os sistemas de opressão que medeiam nossas relações.

O hegemônico exclui o diferente sem precisar levantar prisões/escolas/fábricas/hospícios para enjaular os desajustados e discipliná-los. Há uma multidão que se alinha à suposta ordem natural das coisas, e uma multidão bem disposta a constranger qualquer prática diferente da sua. Fugiu à regra? Descarte. Sem chance de errar, pois não se pode cair da esteira da linha de produção de nossas vidas. A multidão está lá, pronta para dar conta de lhe apontar os erros, por mais acertados que sejam seus erros.

É uma multidão sem história, sem genealogia, repleta de pressupostos inquestionáveis. Sem hipóteses, mas cheia de verdades e certezas.

Essa multidão pressupõe que a Natureza está pronta, que o que é dado é imutável, que se as coisas têm sido assim nunca serão de outro jeito. Não questiona a suposta imutabilidade, não se perguntam sobre o que é de fato imutável, por que é imutável, quando é imutável.

Pressupõe que a seleção natural é igual à seleção social, e ambas são leis anteriores ao surgimento do Universo. Não questiona se essa lei foi de fato descoberta por pessoas iluminadas ou se pessoas quaisquer inventaram uma lei supostamente natural legitimada por nós que não a confrontamos.

Pressupõe que existe o Belo, uma verdadeira beleza primordial, uma estrutura regular, ordenada e simétrica da qual nos afastamos por não aceitarmos a necessidade do progresso e do desenvolvimento. Como se o modo como pensamos não fosse uma construção histórica, mas sim uma propriedade humana de natureza inexorável.

Pressupõe que as mulheres são dos homens e os homens têm as mulheres, que homens e mulheres têm seus papéis sociais ditados pelos cromossomos, que não existe outros gêneros que não correspondam a esse binarismo compulsório. Não questiona se é natural ou naturalizada a correspondência de nossas práticas a essa matriz de sexo/gênero inventada para perpetuar o sistema patriarcal.

Pressupõe que crianças, jovens, adultos e idosos têm papéis naturais, distintos e inevitáveis. Não põe em cheque a suposta justificativa das privações às quais crianças e pessoas jovens, adultas e idosas são submetidas, se são inerentes à própria condição ou resultado de uma construção histórica de relações assimétricas em que a idade tem uma relação forçada com todo e qualquer comportamento.

Pressupõe que viver é não morrer, e manter a ordem biológica da vida é tudo o que há de mais importante, e as necessidades biológicas são suficientes e justificam todo o resto. Como se vivência e sobrevivência fossem sinônimos.

Pressupõe que é inevitável a linearidade da vida ordinária – nascer, crescer, ir pra escola, virar pessoa adulta, trabalhar, ganhar dinheiro, comprar um carro, namorar, casar, comprar o próprio imóvel, ter filhos, envelhecer, mudar pro interior, morrer. Como se não fosse possível questionar esse script divino, pronto e formatado como se todo humanoide devesse seguir os mesmos passos, uma vez que todos têm pernas. Como se a vida fosse um bingo, o qual ganha quem marcar todos os quadradinhos da cartela dada na entrada.

Pressupõe que o trabalho enobrece, e quanto mais se trabalha melhor se é. Mesmo que não se goste do próprio emprego, se estresse, se submeta à falta de dignidade e à exploração imposta pelas relações de trabalho, se produza para alguém que não precisa da sua produção, se escravize.

Meu modo de vida não se alinha a qualquer um desses pressupostos.

Acreditei por um tempo em ser agente de uma missão em até certo ponto metafísica, na qual deveria eu levar algum tipo de palavra contra-hegemônica às pessoas mais próximas. Era uma tentativa quase messiânica de capitalizar as pessoas em prol de um modo de vida como o meu e provocá-las aos mesmos questionamentos que eu tenho sobre a rotina a qual nossas vivências nos aprisionam. Pura evangelização. Deixei de acreditar nesse modo de ação e na filosofia invasiva por trás dele. Se deve haver alguma coerência entre discurso e prática, que seja entre a descrença em qualquer metafísica homogeneizadora, ou em um Além determinante que deveria minimamente servir como referência para um conjunto de comportamentos, e o exercício da autonomia das pessoas sobre suas próprias vidas.

Desisti de levar o evangelho aos outros povos, mas do meu modo de vida não abri mão. Questiono absolutamente tudo o que me parece pressuposto e coloco à prova o que me parece conflitante com alguns princípios que tomo para mim como básicos. Esse exercício passa a ser minimamente interessante quando se passa a perceber como há uma série de construções sociais às quais tendo me aparelhar, condicionar, me tornando mais uma pessoa em uma massa pasteurizada, homogênea e embalada hermeticamente como um produto em um tetra pak, milimetricamente cúbico, igual, sem impurezas, industrializado, geneticamente modificado, com um selo de garantia ISO 9001, com prazo de validade e com meu valor e impostos estampados no lado de fora.

Não quero convencer ninguém de que as pessoas devam abandonar suas vidas para viverem como eu. Meu desejo é o de poder ter autonomia sobre meu desejo, minha vida, meu corpo e tudo o que preciso fazer para me satisfazer de acordo com princípios que tento aplicar em minhas práticas sociais. A utopia (ou impossível, para algumas pessoas – não eu) não é o desejo de que as pessoas sigam o mesmo modo de vida que o seu – o que por si só recai nos pequenos fascismos de nossa vida cotidiana. A utopia reside no desejo de que as pessoas pelo menos entendam que existe não um único, mas muitos e diferentes modos de se entender e praticar a vida, e respeitem a diferença.