Manoel de Barros

Certa vez achei que estava perdido. Cruzei com Manoel de Barros. Ele me ensinou muita coisa.

Hoje cruzei de novo com o Manoel. Do mesmo jeito que daquela vez. Passava sem querer nada por um sebo, e lá apareceu ele, valendo nada, como sempre.

Do mesmo jeito que daquela vez, me sinto perdido. Tão perdido que não sei o que busco. A gente busca muita coisa. A gente devia era buscar o menos.

Bom é quando a gente encontra sem buscar, quando a gente se desencontra.

Sem querer, hoje desencontrei enquanto buscava você de longe para desfazer esse eu sozinho. Acho mesmo é que descobri que a perdi. Assim como aquele índio que foi buscar no meio do mato o amante da esposa para amante e esposa viverem juntos. Uma história sobre nada, como as que o Manoel sempre conta.

Manoel cisma em desbrilhar tudo aquilo em que acredito. Faz pequeno tudo aquilo que quer ser grande. E desesconde o que tenta aparecer.

Lendo o livro do Manoel, encontrei uma beleza escondida no não ter, por mais doloroso que isso possa ser. Dá para amar sem ter, não pode? Por que alguém precisa ter um amor, mas não precisa ter um rio? Não quero chorar rios perdidos. Melhor é sorrir rios encontrados. Se se pode amar, por que não se pode riar?

Hoje Manoel me ensinou que estou riando você.

Nestes quatro anos e meio, você me ensinou muito. Manoel tinha uma namorada que via errado. Você me ensinou a ver errado. Você e Manoel têm muita coisa em comum. E eu gosto disso.

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