Praia

É incrível como pude me afastar tanto tempo da praia, mesmo tendo-a sempre tão próxima.

Me impressiona como esse pedacinho de mundo, tão acolhedor apesar de sua imensidão, pode causar tamanha renovação após um simples mergulho. Veja que contradição: o mar, tão velho, secular, inexorável, quase eterno e também tão conservador, mantendo-se ali sempre equilibrado e austero, é capaz de injetar tanta vitalidade, apaixonar moços e velhos, dar juventude aos montes, revolucionar o dia de quem quer que nele se debruce.

Não importa quando, qualquer que seja a situação – simples ou complexa, seja o início ou o fim de uma era, lá estará a praia, recebendo passiva e sempre sorridente cada onda do mar que, com toda a paciência do universo, arremessa a ela com um pouco de sua essência interminável. E mesmo sendo muitas vezes incapazes de conceber a grandiosidade da talvez mais longa e bela dança do universo, nós, efêmeros mortais, sem precisar dar muita coisa em troca, podemos, egoístas, roubar  algumas gotas desse elixir e, assim, aguçar o que nos resta de nossos sentidos molestados por um cotidiano tão duro, pálido, cinzento, insensível.

Se há algum sentido no termo biocombustível, esse sentido só pode vir da praia.

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2 comentários sobre “Praia

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