Educação no ELAOPA

No post anterior, fiz uma breve descrição do que presenciei no IX ELAOPA. Achei não ter escrito o suficiente sobre a comissão de educação, da qual fiz parte e assisti ao debate em um dos dias do evento. Resolvi então dedicar um post a esse tema.

Por ter-se pautado em analisar a atual conjuntura da educação, a comissão tornou-se um grande desabafo dos problemas pelos quais passam os educadores envolvidos – o ponto de vista dos alunos foi raramente abordado. O momento poderia ter sido mais propositivo, mas muito se falou dos problemas da educação e como ela poderia ser, sem se ter propostas concretas e radicais a ponto de atacarem sua estrutura e seus pressupostos. De outra forma, apenas se muda uma maquiagem pela outra: mudam-se os métodos e mantém-se a finalidade da educação. Nesse sentido, o ELAOPA sofre do mesmo mal que qualquer outro fórum de debate sobre educação.

Minha crítica conflita com aquilo que alguém denominou marxismo acadêmico: um positivismo aliado à luta de classes como caminho para emancipar o cidadão. Encaro esses pressupostos como limitadores do encaminhamento dado a essa discussão. Exemplo disso é que o papel da educação deixa de ser questionado, pois se parte sempre da educação transformadora, muito próxima à marxista de Paulo Freire a não ser pelos métodos, pelos princípios libertários tão defendidos no Encontro; ambas se propõem a dar as armas necessárias para a base popular construir um mundo mais justo.

Infelizmente não participei do primeiro dia da comissão por ter participado de outra, e no segundo dia, por preferir não interferir na dinâmica da discussão começada um dia atrás, preferi não interferir no debate.

Acredito ser muita pretensão se colocar como um debatedor dotado de uma ética privilegiada, iluminada, tomada como mais adequada para que as pessoas se construam como sujeitos melhores. E percebi essa postura em muitos dos que estavam discursando na comissão. Tenho a impressão de que encarar a educação como sendo atualmente um processo de subjetivação, estratégico (e não necessariamente bom ou ruim) para forjar, normalizar e homogeneizar sujeitos, e pensar em formas de transformá-la em processo de singularização, que potencialize as diferenças e a multiplicidade de individualidades, permite nos libertar daquele positivismo freireano, piagetiano, marxista, ferreriano etc.

Pensar a educação como processo de singularização não deixa de ser ideológico (pensar o contrário seria ingênuo demais), mas apresenta claras vantagens. Primeiro por romper com o paradigma classista e encará-lo com um modelo dentre vários potencialmente tão úteis quanto ele para se estudar a educação. Além disso, propô-la como processo de singularização viabiliza uma multiplicidade de condições ou situações para não transformar enunciados em verdades da natureza. O problema dessas “verdades” é o de estruturarem e fortalecerem processos normatizadores, que apagam as potencialidades de nossas vidas; é da diferença que surgem opções para tornar mais dinâmica e dar maior liberação aos sujeitos nas relações de poder, criando situações que viabilizem a subversão dessas relações.

O problema parece residir no engessamento do discurso libertário em torno de um jargão estabelecido pelos militantes-quadros marxistas, bakuninistas, proudhonianos, illichistas etc. Ao meu ver, a pouca diversidade de pontos de vista empobrece demais essas discussões.

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