Utopia

Mapa da ilha de Utopia inventado por Moro

Apesar de o título do blog fazer referência à ideia de utopia, devo confessar que não tinha ido a fundo conhecer seu significado. Então fui à fonte e li o livro “Utopia” do inglês São Tomás Moro (ou Thomas Morus, ou ainda Thomas More).

O subtítulo do livro é “Tratado sobre a melhor forma de governo”. O texto começa com uma conversa entre alguns senhores dentre os quais está o viajante que visitou várias localidades ao redor do mundo. É esse o senhor que, na segunda parte do livro, faz a descrição do país que fica em uma ilha de nome Utopia. Ao contar como é a estrutura social, política e religiosa desse país distante espacial e culturalmente da Europa, o personagem de Moro projeta uma sociedade com valores que ele julgava interessantes para se fazer um povo feliz e  que viva em harmonia, sob regras justas e que, até certo ponto, dão liberdade suficiente para seus habitantes.

A Utopia idealizada por Moro tinha escravos, era extremamente religiosa (afinal, Moro era tão fiel a Deus e ao cristianismo que até santo se tornou), possuía uma estrutura social estratificada, hierarquizada e machista e fazia guerras (apesar de seus habitantes repudiarem carnificinas e sangue). Esses são alguns aspectos que ilustram como a sociedade idealizada pelo autor, que viveu nos séculos XV e XVI, apresentava os valores que ele acreditava serem fundamentais para o bem-estar de uma nação, embora hoje em dia muitos deles não agradam mais as civilizações ao redor do mundo.

Um ponto interessante de Utopia é sua sociedade ser baseada em recursos e não em riquezas. Seus habitantes empenham esforços para que todos tenham acesso a alimentação e qualidade de vida e o acúmulo de riquezas é repudiado por eles. Essa é uma das justificativas para a felicidade plena que permeava o país desde muitos séculos antes da visita dos europeus.

Mas normalmente se associa a Utopia a sociedades idealmente igualitárias e socialistas, embora seu sentido original não estar restrito a esse aspecto.

A Utopia de Moro não é nada mais, nada menos do que aquilo que todos temos em mente quando pensamos em uma sociedade justa, com valores que nós julgamos serem os mais adequados para a vida coletiva. Estamos “utopando” quando pensamos em uma melhor forma de governo, ou em uma sociedade que poderia ser melhor sem tanto espaço para a impunidade, com menos violência, sem blecautes, sem desmoronamentos de rodovias e metrôs, sem políticos corruptos, sem racismo e preconceito, com salários justos, com educação universalizada, com moradia para todos e tevês de plasma de 100 polegadas em suas salas, enfim, com tudo o que se acredita ser fundamental para uma vida digna – embora nem sempre haja consenso no que pode ser digno ou não.

Afinal, se utopia é resultado da imaginação dedicada ao que pode se ter de melhor em uma sociedade, há algum problema em se “utopar”?

 

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Um comentário sobre “Utopia

  1. Não havia lido este texto. Só tenho uma coisa a dizer: do caralho!

    Como sei qual era o seu objetivo em escrevê-lo, sei que foi muito feliz.

    Beijocas ardentes,

    Luci

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