Doações no mundo musical

Já pensou em recompensar um artista de quem você gosta muito de outra forma que não seja comprando um cd ou indo a um show? Me ocorreu que enviar dinheiro diretamente ao músico ou à banda possa ser uma boa opção.

Há pouco mais de um mês baixei Contra Todos, último cd do Dead Fish, banda de hardcore do Espírito Santo. Gostei tanto que fiz questão de enviar alguma quantia em dinheiro para eles ao invés de comprar qualquer tipo de material deles.

Fiz a proposta ao Alyand, baixista da banda, com quem troquei alguns emails. Ele não gostou da ideia de doação. Disse que o encarte é legal e o cd foi feito de coração, e me incentivou a ir até a loja e comprar o redondo.

Respondi: gostaria muito de fazer uma doação pelo o que vocês representam não só para o cenário musical no Brasil mas também pela ideologia que o seu trabalho traz em si e sua importância na formação política da juventude que dá ouvidos ao Dead Fish.

Do ponto de vista global, a cultura de doações é uma alternativa para tornar o mundo musical sustentável ou até mesmo para um novo modelo de mercado, como mais um canal de vocês com os fãs sem a necessidade de um banco atravessar nossa relação e lucrar às nossas custas (pelo menos em um futuro próximo).

Do ponto de vista pessoal, não coloco um cd em um player há anos principalmente por ser mais prático baixar um álbum do que ripá-lo. E não posso comprar um objeto e ajudar a produzir mais plástico sendo que não vou usá-lo. A arte de fato me interessa, gostaria de poder apreciá-la, mas não me interessa tê-la.

Peço desculpas, mas não posso comprar o cd de vocês. Ainda assim faço questão de contribuir com seu trabalho. Espero que esteja aberto a essa troca de ideias.

No final das contas, o rapaz acabou aceitando apesar de ainda não gostar de doações com esse caráter. Disse que os 70 reais que depositei em sua conta depois de nossa conversa serão doados a um amigo que está desempregado há algum tempo.

Acho essa cultura importante para que a cena musical independente sobreviva e, por que não?, se torne autogestionável num futuro próximo.

Atualização: Conheça também o Free Activist Records, um selo anarquista baseado em doações, e o Jamendo, mecanismo para download de músicas que oferece o recurso de doação aos artistas livres.

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4 comentários sobre “Doações no mundo musical

  1. Porque você nunca doa nada pra mim?
    hehehe…
    Acho que os caras são muito burros de não ter aceitado a grana. O cara ainda te mandar na loja comprar o cd foi burrice em dobro. Ou seja, o cara te mandou ir a loja gastar 50 reais para doar 2 reais para eles, pois é isso que devem ganhar com cada disco. A gravadora, o jaba, o empresário é que ganham o resto.
    Sinceramente, acho que esses 2 reais não fazem muita falta… Já que não vão vender 2 milhoes mesmo, porque não colocam a musica para baixar? Preferem engordar o negócio falido das gravadoras? do jaba? do faustão? do Gugu?

    Tiagão… vá escutar HERMETO PASCOAL, que é bem melhor que essa bosta. Pior que essa bosta talvez só o caetano… hehehe.

  2. Em stoa.usp.br/zecolmeia, Tom escreveu:

    Tiago,

    sua idéia já está sendo aplicada por muitos músicos no site do http://jamendo.com/br. Criei um post sobre esse serviço, Jamendo: ouvir músicas gratuitas com licenças Creative Commons.

    Acredito que essa forma de pagamento aos artistas passará a ocorrer com mais frequência num futuro não muito distante.

    No Jamendo é preciso pagar usando Paypal ou algum cartão de crédito. Quando eu tiver um cartão de crédito ou se houver alguma forma de depositar diretamente o valor que desejo doar ao artista, farei com o maior prazer.

    Seu post me fez ter a idéia de enviar a sugestão ao pessoal do Jamendo para eles usarem o Pagseguro, aí poderei pagar diretamente os artistas, sem necessidade de cartão de crédito.

  3. Estamos em um período de transição com as novas tecnologias que vem surgindo e com a força da colaboração internacional entre pessoas com o mesmo ideal. No campo dos direitos autorais, os intermediários estão deferindo os seus últimos ataques contra o que é inevitável: O compartilhamento livvre de informações que está além do alcance deles. O mais engraçado é que o futuro não é bem conhecido nem mesmo pelos grupos que mais interesse tem no novo: os produtores que antes precisavam de intermediários.

    Um grande abraço do fundo do meu coração vermelho de outubro de 1917,
    Atenágoras Souza Silva.

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